domingo, setembro 03, 2006

Terca

Apanho o shuttle para Hyde Park. O condutor era um espectáculo de pessoa. Até digo mais (fazendo aqui uma violação da ordem cronológica das coisas), podem chamar-me racista mas aqui os pretos (e não digo negro porque isso é um insulto em inglês) são quase todos muito mais engraçados, mais educados e mais interessantes que os brancos. Mas pode ser o facto de eu ter estado no Laranjeiro tempo a mais... ou do facto de que há dias em que, sem ser no Campus, não vejo um único branco ou asiático ou outras raças. Talvez até nem seria audaz demais dizer que o rácio de pessoas com quem eu me cruzo é algo como 1 branco por cada 20 pretos (talvez até mais, dado o sitio onde vivo). Voltando à acção o condutor foi um espectáculo porque levou-me até à porta do meu sitio e carregou com as minhas malas. Claro que lhe dei uma boa gorjeta porque os shuttles tinham um conjunto de paragens pre-definidas e ele deu-me uma grande ajuda ao deixar-me à porta.
No entanto não posso dizer que não fiquei preocupado na viagem... A certa altura ele sai do percurso "esperado" e começa a conduzir em ruazitas em West Chicago onde só se viam armazéns velhos e abandonados e casas velhas de madeira todas estragadas com carros a apodrecer à porta (pensem naqueles filmes americanos onde se vêem pessoas pobres a viverem em bairros degradados com um gang ou outro aqui e acolá e uns traficantes nas esquinas). Já
pensava que me acontecer a mesma coisa que aconteceu ao Carlos Fino quando foi para a Rússia pela primeira vez. Mas não, ele foi buscar uns outros gajos a um lugar pre-marcado no dia antes. Embora confesso que eu já estava preocupado a pensar que a única coisa que me iam deixar eram a roupa interior.
Em Hyde Park, não gostei da primeira casa que me deram por isso foi perguntar se havia uma opção maior. Mandaram-me para um apartamento no 12º andar dum prédio com um janitor Croata que não simpatiza com a França e diz que devíamos ter ganho (gostei logo dele). É uma boa casa, espaçosa, carpete nova, acabada de pintar e com uma vista incrível que vai desde a Sears Tower até à Universidade (tenho de colocar aqui umas fotos quando puder).
Agora o que eu não estive a dizer é que neste tempo todo estava novamente a chover e que eu estava a carregar comigo a mala com as coisas mais valiosas e que pesava uma tonelada. Deste modo, eu (e a mala) apanhei (apanhamos) uma molha de primeira ordem. Até cheguei a entrar num sítio para comer uma fatia de pizza (sem estar com fome) só para sair da chuva. Enquanto estive lá dentro a chuva parou e mal saí voltou a chuva ainda mais forte. A chuva só parou pouco depois de eu comprar um guarda-chuva numa lojinha. EEEE antes de dizerem que eu devia ter ficado nos escritórios ou no apartamento, os gajos aqui param todos para o almoço e fiquei a arder porque só podia assinar contrato depois do almoço.
Depois de assinar o contrato, hora de levar as malas para casa... provavelmente foi a coisa de que me arrependi mais neste dia. Tinha duas malas muito pesadas (mais a de mão) e foi um esforço descomunal levar isto tudo para o apartamento que era a apenas 2 blocos de distância (e sim as malas tinham rodinhas). Tive de parar várias vezes e parecia quase que tinha corrido uma maratona. Mas lá cheguei.
A seguir foi tratar de burocracia e conhecer um pouco as coisas da zona. Esta zona é muito bonita com esquilos e pássaros e jardins e etc... mas deixo isso para tema noutros blogs.
Uma das grandes lições que aprendi de outras experiências (ahem, blogs...) é que convêm arranjar uma solução temporária ou permanente para dormir logo na primeira noite... Encontrei um colchão de ar a 10 dolares por isso não só tenho uma solução temporária para mim como já tenho uma solução permanente para as visitas.

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